"Folhelhos ainda não estão bem adotados no Brasil. Se abrir este mercado aqui temos total interesse. Somos especializados em analisar este tipo de rocha. A Ingrain está preparada para quando isso quando acontecer", informou Marcus Ganz, "chief executive officer" (CEO) da companhia, que participou em agosto do 12º Congresso Internacional de Geofísica e da Expogef 2011, no Rio de Janeiro.
Para Ganz, duas tecnologias desenvolvidas internamente são o carro-chefe da empresa: a tomografia computadorizada (CT Scanning), que permite revelar os espaços existentes entre os poros das rochas e uma posterior modelagem computacional, para se obter propriedades e características das rochas.
Idealizadas pelo fundador da companhia, o pesquisador Amos Nur, da Universidade de Stanford, estas soluções permitem, segundo Ganz, obter a análise de rochas com precisão e em muito menos tempo do que os laboratórios tradicionais.
"Os resultados obtidos pelos estudos de plugs em laboratórios tradicionais possuem limitações devido as grandes heterogeneidades encontradas em carbonatos e folhelhos". Um laboratório convencional pode levar até dois anos para fazer um estudo da dinâmica das rochas enquanto a Ingrain os realiza em seis semanas. "Essa é uma vantagem muito grande, pois a rapidez dos resultados permite um maior número de avaliações preliminares aos modelos a serem desenvolvidos, diminuindo assim as incertezas e o tempo de desenvolvimento do projeto" explicou Ganz, acrescentando: "Estamos digitalizando o último pedaço da indústria do petróleo que é a análise de rochas".
Segundo o executivo, a solução da Ingrain já foi aprovada pelos clientes e está sendo utilizada em diversos lugares do mundo, incluindo Oriente Médio. A empresa montou um laboratório em Abu Dhabi para atender empresas de petróleo que atuam naquela região. O laboratório principal fica em Houston (EUA), nos Estados Unidos, onde a empresa mantém sua sede e há cerca de um ano e meio vem expandindo sua atuação para todas as bacias terrestres daquele país, atendendo cerca de 50 companhias de petróleo que contrataram a Ingrain para realizar estudos sobre reservatórios de óleo e gás não convencionais.
Ganz está na Ingrain desde janeiro de 2010. Ele trabalhou na Schlumberger por 29 anos. É casado com uma brasileira e fala bem o português. Ele acredita que, dependendo do comportamento do mercado, uma boa parte das análises poderá ser feita no Brasil. A empresa já importou equipamentos para montar um laboratório na filial do Rio de Janeiro e contratou profissionais brasileiros para atuar nos projetos em desenvolvimento no país.
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